Você trabalha com o que mesmo?

Eita, quantas vezes já me perguntaram isso… E com que entusiasmo forçado eu volto a repetir: “Com tradução… Eu sou tradutora.” Um colega de profissão chamado Felipe escreveu há em tempo um post sobre isso. Achei formidável, e resolvi colocá-lo aqui – com a permissão dele, é claro. Enjoy!

“Ao chegar em qualquer lugar, qualquer pessoa, no qual me perguntam minha profissão, já espero a réplica “O quê?”. Já tenho tudo preparado, preparo o tom de voz, escondo a cara de frustração e repito pausadamente: Tra-du-tor. Logo então, espero a segunda reação da pessoa, que se ramifica em duas. A primeira é a constatação de que ela não sabe o que se faz um tradutor, e pior, que isso é profissão e, então, manda a pergunta: Mas é tradutor de todas as línguas? E então, eu, com minha cara de vendedor de sapatos digo calmamente, rompendo minh’alma por dentro: Não, só de espanhol e francês. A pessoa, então, finaliza com a última contestação: Mas você não fala inglês? Ah, o senso comum. A segunda constatação é a de total ignorância do assunto e, com vergonha de parecer mesmo ignorante, a pessoa se cala. Há aqueles que confundem tudo e entendem uma profissão que não tem nada a ver. Lavrador? Plantador? Colhedor? AH, Tradutor! Acho que essas pessoas até estão certas. Nossa vida é como uma colheita, uma plantação. Pensemos na vida: Acordamos ao nascer do sol, preparamos o terreno, ligamos nosso trator, aquele Athlon AMD barulhento de 6 anos atrás, nos sentamos na nossa cadeirinha e começamor a lavrar o texto, plantamos sementes nas nossas memórias de tradução, colhemos nossos frutos em tempo record, bem como pede a demanda da lavoura. É uma profissão como todas as outras, alguns estudam para isso, outros não, e a maioria consegue seu lugar ao sol. Quem não estuda sofre mais na terra, assim como os produtores rurais, quem estuda sai em vantagem mas, ao passar dos anos, todos se encontram na mesma situação, talvez um demore mais do que o outro para trocar o trator, mas nada que um financiamento da Caixa não resolva.”

Felipe Garcia Marçal

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Arquivado em Humor tradutológico, Prática de tradução

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