Portugueses – a revanche

Fato: todo brasileiro sabe pelo menos uma piada envolvendo português. É quase impossível escapar dessa estatística. E já ouvimos falar que, pasmem!, os portugueses também fazem piadas conosco. Até aí, vá lá, ficamos quites, tudo bem. Podem fazer troça pelas costas que não notamos. Mas, ai, como incomoda quando ouvimos os tugas a zombarem de nós!

Bom, quem me conhece sabe que eu respiro Portugal. Ouço música portuguesa, rádio portuguesa, assisto aos filmes portugueses, aos programas da televisão portuguesa, e até virei fã número um da rubrica* Caderneta de Cromos** e do Nuno Markl. Tenho mãe portuguesa. Minha avó ainda carrega o sotaque da Terrinha. Meu objeto de estudo desde a iniciação científica, passando pela Tese de Conclusão de Curso até a dissertação tem sido sobre a língua e a cultura portuguesas. Fico um pouco aborrecida quando tirram sarro do meu sangue lusitano. Mas também sei um bocado de piadas com Manuel, Joaquim e Maria.

E há um tempo o tal Nuno Markl de quem tanto gosto tratou de esmiuçar a novela brasileira Água Viva (exibida em Portugal pelos anos 80, se não me engano) em seu programa matinal na Rádio Comercial. Logo começaram as piadinhas entre os outros apresentadores do programa (Pedro Ribeiro, Vasco Palmeirim e Vanda Miranda) sobre os nomes dos personagens da referida novela. Zombavam de nomes como Suely,  Nelson Fragonard e Miguel Fragonard. Não bastasse a troça sobre nomes tão diariamente gastos pelas bocas de tantos brasileiros ao chamar pelos nomes de outros tantos brasileiros chamados Suely, Nelson e Miguel, divertiram-se em imitar um trecho da novela em que a Malu Mader diz (sobre fazer topless na praia): “Tá todo mundo fazendo”. E antes, ao dizer sobre o genérico *** da novela, não pouparam o nome artístico da cantora Baby Consuelo.

Ok, as piadelas até me fizeram sorrir e concordar que, verdade seja dita, temos nomes bastante parvos**** por aqui. Mas não posso deixar de admitir que me senti ofendida e quase tão patriota quanto fico em época de Copa do Mundo. Foi como ter o tuga a chafurdar meu caldeirão de feijoada com sua colher cheia de bacalhoada. Tá certo. Fiquemos nós com a zombaria lusitana, e eles lá com a piada que somos nós. Só não nos venham contar. Afinal, o que meus ouvidos não ouvem meu coraçãozinho brasileiro não sente.

*Seção de um programa

**É como eles chamam o álbum de figurinhas

***Abertura

****Tontos

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