A bravura indômita do tradutor e seu Google Translator

Há muito tempo eu ouço falar das maravilhas do Google Translator. Eu mesma já tive de fazer trabalhos em que devia somente revisar a tradução ‘pré-moldada’ pelo tal tradutor automático. Às vezes ele funciona de maneira assustadora. O problema é que há gente demais que confia demais na inteligência linguística do Google. E aí acontece de usarem os textos mal codificados pelo programa com a mesma audácia de quem fica nu no meio da rua.

E eis que ontem, vasculhando no blog do caríssimo nuno Markl (http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt/), encontro um post praticamente sobre traduções porcamente feitas por tradutores automáticos e, pasmem!, impressas em embalagens de produtos. Passo a reproduzir aqui parte do texto do Nuno, extraído do blog acima citado:

“E descobrimos aquela que nos pareceu, unanimemente, a invenção do século – provavelmente, do milénio. Ou talvez a maior invenção desde a roda:

Melhor invenção de sempre, melhor caixa de sempre, melhor fotografia de sempre – meu Deus, há tanto para amar no produto Cobertor Mágico (as únicas palavras da caixa que fazem, mais ou menos, sentido) que nem sei por onde começar.

Ah, o talentoso e valente tradutor do Google!… Mas com estas palavras ainda percebemos a ideia desta obra-prima que pode ser apelidada de Mantinha de Fim-de-Semana Chuvoso 2.0. O pior é quando procuramos, na caixa, uma descrição mais desenvolvida do objecto, para ficarmos realmente convencidos de que é o que precisamos em temporada natalícia, quando, aos domingos à tarde, sentimos necessidade de nos enrolarmos em algo quente para assistir a um filme envolvendo animais.

Sem dúvida que a minha passagem favorita, de tão queriducha, é “mantem-no morno da cabeça ao dedo do pé”. Aquele singular, em “dedo do pé”, mata-me. E mata-me também a fofura familiar das fotos laterais da caixa: este produto chega para transformar as famílias portuguesas em clãs de Chewbaccas. No que toca aos casais, perde-se a comunhão romântica da manta única para dois, mas ganha-se toda uma nova espécie de sex appeal.

O texto parece o tipo de coisa que um psicopata iletrado escreveria numa folha de papel usando letras recortadas de várias publicações e que depois seria analisada pela polícia como código para explicar onde está o próximo cadáver.”

Risos, risos e risos, e nenhum (absolutamente nenhum) comentário. Não precisa.

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Arquivado em Humor tradutológico, Prática de tradução

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